domingo, julho 29, 2007

o espaço vazio ainda fazia impor o respeito de quando freqüentava a cama dele.
dividir a cama com quem não está lá é doloroso, e respeitar esse espaço nostálgico era deprimente, mas não o fazia de outra forma mesmo consciente de tal mazelas.
sentia certo prazer em chorar observando o nada entre as ondas dos lençóis e o colchão.
na dor cotidiana tentava entender porque não. com a nuca apoiada nas mãos e o lençol presente em metade de seu corpo, divagava sobre seus demônios. o cigarro fumava apenas depois de certa hora, mesma que ela costumava dormir. não gostava que ele fumasse, e mesmo assim o fazia na janela todas as noites, enquanto bebia o quarto de vinho que insistia em sobrar do jantar.
nesse dia arremessou a garrafa cheia pela janela e se perguntou porque não disse:
- fica.

segunda-feira, julho 23, 2007

Paris, eu te amo...

Reunir 18 diretores descolados,usar paris como pano de fundo e o amor como mote parece uma bela formula de sucesso e pipoca. Paris eu te amo é um painel de fabulas-encantadoras/ crônicas-urbanas , de encontros e estranhamento nem sempre propositado. São 18 os curtas metragens e dez minutos o tempo dado a casa um dos diretores entre eles, Oliver Assayas, Gus Van Sant, os irmãos Coen Alfonso Cuarón, Walter Salles e surpresas como Frederic Auburtin e Gerard Depardieu, que assinam o melhor capitulo do longa (uma conversa em um café entre Gena Rowlands e Bem Gazarr, os gigantes de John Cassavetes). Analisando de forma inteiriça, o filme perde a força, eo resultado pode parecer um passa-tempo-papa-níquel de grandes diretores que já não tem mais tempo para filmar suas viagens mentais.
Ao contrario de sua pretensão, não há uma homenagem á cidade do amo e da luz, nem muito menos uma painel étnico ,social e imigratório da sua situação política de hoje. A virtude do filme está, na verdade, em aguçar no publico a liberdade criativa e a delicia do tempo fragmentado que o formato curta metragem pode proporcionar até para os mais leigos. Alguns são “peças” fantásticas e outras, bobagens tão grandes como os egos de seus diretores, mas ganham em força os concisos,como o próprio Salles- que resume em uma canção de ninar toda a dor de um conflito amoroso. Natalie Portman e Juliette Binoche são protagonistas de dois imperdíveis: lúdicos e densos em sua delicadeza narrativa, mas sem duvida a grande homenagem á cidade é o ultimo, de Alexander Payne. Uma norte americana ultracaricata passeia com o seu guia embaixo do braço e percebe um amor que emana a cidade em sua direção. Uma quase serenata em péssimo francês : adorável.

Diana Assenato Botello – Revista Rolling Stone – Julho/2007

segunda-feira, julho 09, 2007


quem me compra um jardim com flores?

borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,

ovos verdes e azuis nos ninhos?

quem me compra este caracol?

quem me compra um raio de sol?

um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?